Inspirações
Migalha Doce

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Migalha Doce é o alter-ego culinário de Sandra Bernardo, designer gráfica de formação e cake designer por paixão. O projeto que começou há pouco mais de dois anos, conta agora com um séquito de fãs nas redes sociais e outro tanto de entusiastas a querer aprender a arte de decorar bolos “despidos”. No seguimento de um conjunto de 4 workshops (começou por ser 1, mas em menos de 24 horas conseguimos esgotar 4 sessões) organizados em parceria com (e no) O Apartamento, resolvemos perguntar à Sandra, entre outras coisas, o que é afinal um naked cake  e quais as motivações que a fizeram mudar de profissão.

O que é um naked cake?

Um Naked Cake (em português bolo “despido” ou “nu”) é nada mais do que um bolo em que todas as camadas são visíveis. Surgiu pela primeira vez nos Estados Unidos, penso que por volta de 2010 ou 2012, mas sem certezas. Apesar da sua aparência simples, é preciso todo um cuidado técnico para que fique perfeito e, principalmente, que permaneça estável e direito. Como fica tudo à vista, camadas do bolo, recheio e decoração, a grande preocupação é escolher o tipo de massa e recheio correctos, para que não desmorone depois de empilhar todos os andares.

Como é que os bolos surgiram na tua vida?

Desde pequena que via a minha mãe a fazer bolos e isso sempre me despertou curiosidade. Adorava vê-la a preparar um bolo sem precisar da receita, sempre as soube de cor. Depois de ter saído de casa, apesar de ter tido sempre “jeito” para a cozinha, deixei os bolos de lado até ter descoberto o que era food styling enquanto tirava o curso de Design Gráfico. Apesar de abranger vários temas, sejam eles pratos salgados ou até mesmo de acessórios, foram os doces que me despertaram a atenção. Os amigos acabaram também por ser os grandes responsáveis por reatar aquela curiosidade que tinha adormecida em mim pela confecção de doces. Durante semanas foram eles as minhas cobaias de novas receitas. Com vontade de descobrir e aprender mais sobre food styling e food photography, apaixonei-me pelos bolos naked, altos e elegantes. Hoje em dia não me imagino a fazer outra coisa.

white semi naked3_web

Foste autodidata neste processo todo?

Sim, fui. Foram precisas muitas horas de pesquisa. Ainda hoje tento aperfeiçoar as minhas técnicas e conhecer outras novas. Aproveito cada minuto em busca de novos designs, inspirações e tendências. Depois disso, a prática também ajudou muito. Adoro o que faço e não me canso, mesmo que passe um dia inteiro de pé na cozinha. No fundo é preciso tanta pesquisa como prática. Tenho consciência e não digo isto para me gabar, sei que evoluí muito desde que comecei. Os bolos saem mais direitinhos e até mesmo o sentido de estética está mais apurado.

Qual foi o bolo que mais prazer te deu fazer?

É difícil escolher apenas um… todos eles me dão prazer, até mesmo aqueles que me deixam frustada por não conseguir realizar aquilo que tinha em mente (e isso acontece mais do que podem pensar). Mas existem dois que, assim que os terminei, senti um arrepio pelo corpo: o meu primeiro bolo de casamento e o woodland (aquele com o tema dos animais da floresta).

woodland cake

De onde vêm as temáticas para as encomendas, são lançadas pelas pessoas? Quando não são, como é que arranjas sempre tanta inspiração?

Ainda são poucas as pessoas que me apresentam um tema, sem querer outras sugestões. É bom quando posso dar asas à imaginação, apesar do enorme receio de no fim não gostarem ou “de não ser bem aquilo”, por isso apresento sempre exemplos e um sketch para tentarem visualizar aquilo que tenho em mente (razão pela qual o orçamento nunca é enviado de uma hora para a outra, pois requer uma pesquisa pormenorizada). O Pinterest ou o Instagram são ótimos para tirar boas inspirações, mas nem sempre o tema de pesquisa são “bolos”. Tiro muitas ideias de bebidas, cerâmica, pinturas… Ou por vezes conversas com amigas, essas também ajudam e servem de inspiração. Tenho sorte de estar rodeada de pessoas criativas que me influenciam e apoiam muito.

 

Fotos e video: Migalha Doce