Marta Horta Varatojo
entrevista

Marta Varatojo
Foto: Mariana Sabido

Nos dias 14 e 28 de novembro a cozinha do projeto O Apartamento vai encher-se de mais cor e sabor pela mão de Marta Horta Varatojo. Com dois workshops dedicados a snacks macrobióticos, a autora do livro “Cozinha da Marta – Uma Forma de Amar” vai ensinar como contornar a fome entre refeições de forma saudável.

Marta Horta Varatojo é uma lisboeta apaixonada pelo Mundo. Inspirada pelos pais, Geninha e Francisco Varatojo, mentores do Instituto Macriobiótico de Portugal, é seguidora desta culinária desde que nasceu. E hoje em dia é a ela que dedica grande parte da sua vida, sempre sob o lema: “somos aquilo que comemos”.

O seu primeiro livro “Cozinha da Marta – Uma forma de Amar” (lançado este verão) revela a macrobiótica como uma arte única, que satisfaz os sentidos e proporciona uma vida mais harmoniosa. Baseada em princípios e tradições milenares, esta culinária inclui produtos simples e deliciosos, tais como cereais integrais, vegetais, algas, leguminosas e seus derivados.

Que impacto teve na tua vida o facto de teres nascido e crescido numa família macrobiótica?

Teve um impacto enorme. Acho que não seria professora de culinária, nem teria um livro escrito. Quando era miúda queria ser designer de moda e apesar de ter trabalhado em diversas áreas acabei por voltar às raízes e comecei a trabalhar na mesma área que os meus pais, provavelmente por serem o meu grande exemplo e as duas pessoas que eu mais admiro no mundo. Se não tivesse este exemplo em casa acho que teria demorado muito mais tempo a perceber, ou a interessar-me, por todas estas questões relacionadas com alimentação, saúde e ambiente. A macrobiótica é muito mais do que uma dieta, é uma filosofia de vida, sinto-me verdadeiramente privilegiada por ter a família que tenho, que me ensinou a fazer escolhas conscientes para mim e para o planeta.

Hoje em dia, o que significa para ti a alimentação?

A alimentação, para mim, vai para além da comida. Há diversas formas de alimentarmos o nosso corpo e espírito, através dos pensamentos que temos, do exercício físico, das escolhas que fazemos no dia a dia (os livros que lemos, os programas que vemos na televisão, as músicas que ouvimos), etc.

A minha mãe, Geninha Horta Varatojo, tem um livro de culinária que se chama: “Tudo o que Comemos Conta” e, muitas vezes, em conversas sobre a vida, abreviamos o titulo e dizemos (entre sorrisos cúmplices): “Tudo Conta”.

Dizes frequentemente que “somos aquilo que comemos”. Nunca fazes disparates?

Faço, claro. Estou longe de ser a menina exemplar e bem-comportada, nem faço tenções de ser. Acredito que os disparates também são importantes, em primeiro lugar, porque não gosto da ideia ter alimentos proibidos na minha dieta alimentar, e em segundo lugar, porque me deram experiência, fiquei a saber mais sobre os diferentes alimentos e o efeito que têm no organismo. De qualquer das formas, sempre que como de forma menos saudável depois tento contrabalançar, escolhendo alimentos com características mais medicinais, que minimizam os estragos feitos previamente.

E sim, repito imensas vezes a frase “somos aquilo que comemos” porque é mesmo literal. O que comemos transforma-se no nosso sangue, que vai banhar todas as nossas células, órgãos do corpo e sistema nervoso, responsável pela forma como percepcionamos e interagimos com o meio à nossa volta. Desta forma creio que fica mais fácil compreender o papel fundamental e o impacto enorme que a alimentação tem nas nossas vidas.

O que podemos esperar deste workshop?

Acho que vai ser uma manhã muito bem passada, num ambiente descontraído, divertido e, claro, com boa comida. Vamos confecionar receitas rápidas e fáceis de elaborar sem recorrer a ingredientes prejudiciais para a saúde, como o açúcar e/ou produtos de origem animal. Este workshop é uma boa oportunidade para esclarecer dúvidas sobre a alimentação saudável e perceber que não temos que abdicar do prazer de comer quando comemos bem.